Ficções interativas

photopia

Estas são algumas das primeiras e melhores ficções interativas que eu joguei na década passada.

Ficções interativas são obras de ficção onde o leitor pode escolher entre certas opções dadas pelo autor e assim alterar o rumo da estória. Nas ficções interativas de computador (famosas nos anos 80) as opções nem sempre estão explicitamente visíveis, devem ser imaginadas pela pessoa que está lendo/jogando e escritas em forma de comandos que são respondidos pelo programa.

Escrever uma ficção interativa é como escrever um fluxograma narrativo ou um programa de computador. Para quem gosta de leitura e computação é uma ótima experiência.

Segue uma pequena lista de ficções interativas que eu recomendo, cada uma seguida de uma pequena resenha. Se souber inglês, você pode jogar a maioria delas via web pelo site iFiction ou no seu celular pelo Text Fiction.

Photopia (1998, Adam Candre): “Ler uma estória pra você? Que graça isso teria? Eu tenho uma ideia melhor: vamos contar uma estória juntos”. Assim começa a ficção interativa de Adam Cadre, vencedor da IFComp 98. É uma mistura criativa entre fantasia e realidade, atravessando o universo lúdico das cores com elementos da psicologia. Uma das obras mais influentes do gênero.

Kaged (2000, Ian Finley): Essa obra venceu a IFComp de 2000 com muito merecimento. É uma estória sobre insanidade e traição num mundo dominado pela burocracia, onde pessoas estão morrendo misteriosamente, bem no clima surrealista das estórias de Kafka.

For a Change (1998, Dan Schmidt): Foi a primeira ficção interativa que eu li. Ficou em segundo lugar na IFComp de 98. É uma estória cheia de simbolismos e incrivelmente bem escrita sobre superar um muro gigantesco e voltar a ver o Sol. Essa obra um papel na minha recuperação da depressão.

All Roads (2001, Jon Ingold): Uma ficção interativa com desafios simples, que conduz o leitor por um incontrolável vai e vem temporal na Veneza renascentista. Confuso mas agradável como uma boa história de espionagem e ficção científica.

Zero Sum Game (1997, Cody Sandifer): Uma hilariante anti-aventura. Você começa no fim de uma aventura em que coletou vários “tesouros mágicos”, mas sua mãe manda você devolver tudo. Cheio de piadas que provavelmente só podem ser entendidas por quem joga RPG. Uma sátira extremamente criativa.

Aisle (1999, Sam Barlow): Uma peça de um ato só, ou melhor, de uma ação só, porém riquíssima em detalhes. Você tem uma só chance de tornar seu dia algo mais que ordinário. Uma ótima experiência em interatividade, o jogo parece ter uma resposta para quase tudo que você pode tentar. É também uma boa introdução ao gênero, recomendado para iniciantes.

Galatea (2000, Emily Short): Uma obra de conversação, escrita pela autora mais sofisticada do gênero: Emily Short. Você tem a oportunidade de interagir com Galatéia, a estátua que ganhou vida no mito grego. É muito diferente de uma aventura convencional, é uma exploração mais intimista e envolvente.

Metamorphoses (2000, Emily Short): A belíssima obra prima de Emily Short, a mestra das ficções interativas,  é uma estória onde a realidade se divide entre literal e figurativa, Cheio de desafios simbólicos e psicológicos que retratam o mundo feminino e a natureza humana. Com múltiplos finais, é para mim o exemplo máximo do que a ficção interativa é capaz em termos de qualidade intimista. Mereceria ser analisada como literatura.

Autor: Janos Biro

Você não existe, e eu também não.

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