Blood Dragon

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Uma resenha do jogo Blood Dragon (2013) de Kevin Guillemette.

Blood Dragon é uma expansão independente de Far Cry 3 que repete a moral do jogo original, mas de modo exagerado e cômico. É quase como se os criadores quisessem se certificar de que o jogador entendeu a ironia do jogo original. Todos os elementos estão aqui, mas num cenário de ficção-científica e num estilo filme de ação pastelão dos anos 80.

Como no jogo original, o tema central é a violência nas telas (incluindo jogos de computador). O elemento mítico está diretamente relacionado a aparelhos de televisão e filmes. A principal aliada chega a falar diretamente sobre violência e jogos, repetindo o argumento clichê de que “jogos são um mecanismo de enfrentamento, como qualquer hobby. Eles comprovadamente melhoram a coordenação motora, resolução de problemas, interação social e autoconfiança. E nenhum estudo conseguiu provar uma correlação entre videogames e violência. Francamente, quem pensa que os jogos são ruins é um idiota”.

O truque aqui, como em Far Cry 3, é que nada mais fácil para um jogador do que concordar com essa afirmação. O jogo, porém, é cheio de citações irônicas, e esta é uma delas. Por quê? Porque o tempo todo, o que o jogo pretende mostrar é o prazer em ser estupidamente violento. O jogo usa de clichês de filmes, como vingar a morte do parceiro e salvar o mundo de um megalomaníaco que no final diz ser seu pai, mas sua ideia principal é que a mídia é estupidificante, que a estupidez vem sempre acompanhada da violência.

O protagonista faz uso constante de trocadilhos idiotas toda vez que mata alguém. Ele se comporta com a imaturidade de um garoto de 12 anos, várias vezes mostrando-se impaciente com qualquer informação complexa ou longa demais, inclusive com o tutorial. Os cientistas são chamados de nerds, e os inimigos são distraídos com dados de 20 lados (típicos de jogos de RPG de mesa) ao invés de pedras. Ridicularizar nerds é o típico comportamento agressivo de um nerd, e a catarse aqui é justamente essa: o jogo foi feito para nerds, o que fica claro no excesso de referências, mas ele ridiculariza os nerds porque, como no jogo original, ele quer funcionar como espelho. A estupidez do protagonista não é estranha ao jogador, ela é uma estupidez com que podemos nos identificar facilmente.

Os menus e dicas do jogo apenas reafirmam o óbvio, assim como o jogo apenas reafirma o que deveria ter ficado óbvio em Far Cry 3: a crítica ao patriotismo, a imaturidade do protagonista, sua fascinação com a violência, seu desejo de ser o herói, o macho alfa, o modo como ele é simplesmente usado pela mulher que ele pensa estar ajudando, etc…

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Uma diferença é que em Blood Dragon o tema da ciência como controle da natureza (representada pelos dragões) é mais discutido, enquanto o tema da guerra se torna secundário. Blood Dragon funciona como um catalizador para se entender a moral de Far Cry 3. O fato de que esta expansão foi mais bem recebida pelo público do que o jogo original é que aqui o jogador pode rir de si mesmo, ao invés simplesmente se sentir culpado.

Autor: Janos Biro

Você não existe, e eu também não.

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