Ainda sobre games e violência

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Existem dois erros comuns na discussão sobre a relação entre games e violência. Um é dizer que games violentos por si só provocam violência. Outro é esquecer que games, como qualquer produto cultural, influenciam a sociedade.

Por um lado, é verdade que existe pânico moral. Existem pessoas que, por não compreenderem de fato a cultura gamer, associam games com as piores coisas possíveis. Por outro lado, não se pode ignorar que alguns games, assim como alguns filmes e alguns livros, veiculam conteúdo inadequado, ou até mesmo patológico. O discurso da liberdade de expressão não pode ser usado como desculpa para ignorar a responsabilidade ética envolvida na produção de qualquer coisa.

Além disso, parece que ambos os lados evitam entrar numa discussão mais profunda sobre a influência dos games, permanecendo somente na questão da violência física. Jogos possuem conteúdo cultural, isso é inegável. E não podemos ser ingênuos a ponto de achar que não existem conteúdos culturais ofensivos e maléficos, ou que estes não caibam na mídia interativa.

O debate não acaba no fato de que o game não provoca aumento dos casos de violência física. A violência moral tem aumentado entre jogadores, e isso é preocupante. Pode não ser culpa exclusiva dos games, mas os games fazem parte dessa cultura.

Por isso acho irresponsável dizer que discutir a relação entre games e violência não passa de “pânico moral”. Há problemas reais e sérios na indústria dos jogos, pois esta não está isenta de ser afetada pela ideologia dominante. O criador de jogos que quer se considerar como um artista não pode se isentar da responsabilidade ética que cabe a todo artista. Quem em plena sanidade mental aceitaria, por exemplo, um livro infantil que incentiva uma criança a matar, torturar ou estuprar pessoas, descrevendo esses atos nos mínimos detalhes? Com que propósito um autor escreveria um livro desses? Bastaria dizer que o livro é divertido? Que ele mantém a criança lendo por horas sem parar, imersa naquela narrativa? Eu creio que não. Mas a indústria de jogos parece usar este argumento para se justificar: É divertido, não mata ninguém de verdade, portanto é inofensivo.

Os criadores de jogos parecem estar querendo se isentar de sua responsabilidade moral enquanto propagadores de ideias. Não questionam por que a demanda por simuladores de violência está aumentado. Fazem parecer que o ato de matar oponentes é simplesmente um elemento característico dos jogos, e não uma escolha de design. Assim, ignora-se a questão do “por que gostamos tanto de jogos violentos”, e outra por trás dessa: “Por que as pessoas escolhem fazer jogos violentos?”. Ao pensar nessas perguntas, entraremos num universo muito diferente de questionamentos e reflexões.

MrBtongue fez um ótimo vídeo sobre isso em 2013, que ainda é válido (embora ainda não tenha legendas em português):

Autor: Janos Biro

Você não existe, e eu também não.

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